quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Luis Nassif: a inapetência administrativa de Serra

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Independentemente das eleições do próximo ano, quando baixar a poeira permitindo uma avaliação serena de sua administração, o governador José Serra não entrará para a história da administração pública do estado. Pelo contrário, o balanço de três anos de gestão revela um mérito – administração financeira responsável – e uma falta de vontade de administrar poucas vezes vista no estado.

- Por Luis Nassif, no Último Segundo

Mesmo a Geraldo Alckmin – que tem lacunas como administrador – não faltava vontade de fazer, embora tivesse dificuldades evidentes para escolher o secretariado e definir políticas públicas inovadoras.

No caso de Serra, um dos fatores que pesou foi o fato de, desde o início, estar com a cabeça na futura eleição para presidente da República. Com isso, toda sua energia passou a ser canalizada para articulações e para algo inusitado para um governante com sua responsabilidade: monitorar e responder às críticas da imprensa. Certa vez, em reunião do secretariado, admitiu que chega a gastar três horas por dia lendo os jornais e articulando reações ou respostas a pontos que não lhe agradam.

Costuma dormir às quatro da manhã. De madrugada passa mensagens pelo Twitter – sistema de mensagens curtas da internet. Dormindo tarde, começa a trabalhar tarde.

Seu dia não começa antes das 11 da manhã – em geral, em compromissos fora do Palácio Bandeirantes. Praticamente não participa das reuniões do Secretariado.

Cada secretário encolheu-se em sua área, faz o seu trabalho sem que Serra tenha noção clara do que acontece no seu governo. Nas reuniões, seu único empenho consiste em cobrar a aceleração de obras, para poder entregar no decorrer de 2010.

Entra no jogo apenas em momentos de crise. Quando isso ocorre, não raras vezes emperra o processo decisório com indecisões frequentes.

Na greve da Polícia Civil, por exemplo, permitiu que o caldeirão entrasse em fervura recusando-se durante semanas a receber representantes do movimento. Só tomou uma decisão quando eclodiram conflitos em frente do Palácio Bandeirantes. Na semana seguinte, aceitou sem pestanejar todas as reivindicações dos policiais – inclusive a de reduzir o tempo de trabalho para aposentadoria de 35 para 30 anos.

Quando explodiu a crise mundial, industriais paulistas procuraram o Palácio Bandeirantes atrás de medidas que ajudassem a amenizar o desastre – especialmente em máquinas e equipamentos, setor que experimentou queda de 40% na produção.

Serra passou meses sem receber as lideranças. Aí a Abimaq (que representa os fabricantes) acertou um pacto com a CUT e a Força Sindical – que ameaçaram com uma manifestação em frente o Palácio. Só aí Serra aceitou algumas concessões tributárias ao setor, além de destinar uma verba – proveniente de recursos da venda da Nossa Caixa – para financiamento ao setor. Já era mês de março.

Se estivesse à frente do governo federal, essa demora teria sido fatal para a superação da crise.

O resultado desse desinteresse se reflete no descontentamento que grassa em seu secretariado – no qual os secretários são desestimulados a mostrar seu trabalho e Serra, por desconhecimento do que se passa, é incapaz de mostrar realizações na imprensa.

O caso Detran 1
Logo no início do seu governo, foi estimulado por alguns secretários a tirar o Detran das mãos da Polícia Civil. Alguns funcionários, egressos do governo Mário Covas, lembravam-se do drama do governador. Necessitando de fundos de campanha, foi obrigado a aceitar a sobrevivência dos esquemas do Detran. Mas quando falava do tema, chegava a chorar de raiva e de impotência.

O caso Detran 2
Com Serra entrando, o caixa de campanha fornido, foi-lhe sugerido limpar a área. Serra recusou com receio da reação da cúpula da Polícia Civil. “Até Pernambuco, de Jarbas Vasconcellos, fez essa limpeza”, contava-me um alto funcionário do secretariado de Serra. Hoje São Paulo é um dos cinco ou seis estados da Federação que ainda não conseguiu romper com os esquemas do Detran.

A gripe suína 1
A dificuldade em gerenciar o estado explode em vários outros episódios. Jamais recebeu lideranças de suinocultores no Palácio. Quando ocorreu o famoso episódio da gripe suína – na qual Serra gravou uma entrevista (que virou campeã do Youtube) relacionando a gripe com os porcos —, vendo o estrago convidou o setor para um almoço. Todos foram para o restaurante Varanda Grill e ficaram aguardando o governador.

A gripe suína 2
Serra chegou atrasado, com uma equipe de TV a tiracolo. Mal cumprimentou os presentes, pediu um bife de carne suína, cortou um pedaço, levou à boca – tudo devidamente registrado pelos cinegrafistas –, despediu-se secamente e foi embora. A intenção foi apenas a de registrar cenas, caso os adversários resolvessem explorar o tema na campanha.

Esvaziamento 1
São Paulo tem as melhores universidades, os melhores institutos de pesquisa do país, as melhores empresas, a infra-estrutura mais completa, os melhores quadros intelectuais. Caso Serra ainda tivesse mantido a energia de outrora, poderia ter mudado a face do país a partir de São Paulo. Com sua inapetência administrativa, houve um afastamento gradativo dos melhores quadros do partido.

Esvaziamento 2
O grande desafio dos próximos anos será a recomposição da oposição, o renascimento do PSDB sob outra base. Aparentemente houve o esgotamento completo da geração que emerge das diretas. FHC já está fora do jogo; Serra joga sua última cartada. Mas o egocentrismo das velhas lideranças, o desaparecimento dos grandes vultos, como Franco Montoro, Mário Covas, impediram a renovação do partido. A nova geração surgirá apenas quando a velha for afastada pelo tempo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Algumas estratégias de manipulação da elite na mídia

"A maioria da publicidade dirigida ao grande público usa discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse criança ou deficiente mental"

Estratégias e técnicas usadas pelas elites para a manipulação da opinião pública e da sociedade, sempre segundo Noam Chomsky:

A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO
Outra maneira de impor uma decisão impopular é apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública para aplicação futura. Naturalmente é mais fácil aceitar um sacrifício futuro, até porque o esforço não é feito imediatamente. Depois, porque o público tende a esperar ingenuamente que “tudo vai melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Enfim, isto dá tempo ao público para acostumar-se com a mudança e aceitá-la com resignação quando chegar a hora;

DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS
A maioria da publicidade dirigida ao grande público usa discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse criança ou deficiente mental. Quanto mais se pretende enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom idiotizante. Por quê? Em razão da sugestionabilidade, este tenderá a dar uma resposta ou apresentar uma reação desprovida de sentido critico;

USAR O ASPECTO EMOCIONAL MAIS DO QUE A REFLEXÃO
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional, e por fim ao sentido crítico dos indivíduos. Além do mais, o uso do registro emocional permite abrir o acesso ao inconsciente para implantar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer como que se o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua servidão. A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre o possível, de forma que a distância entre classes inferiores e superiores permaneça a maior possível.

CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS
Nos últimos 50 anos, os avanços da tecnociência geraram uma enorme defasagem entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e usados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” detém um conhecimento avançado do ser humano, isto é, pode conhecer melhor o individuo comum do que ele mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, que o sistema exerce um controle maior sobre os indivíduos.

REFORÇAR A REVOLTA PELA CULPABILIDADE
Fazer o indivíduo acreditar que ele é o único culpado pela própria desgraça devido à limitação da sua inteligência, capacidades ou esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo culpa a si mesmo, gerando um estado depressivo cujo efeito imediato é a inibição da ação. E sem ação, não há revolução!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Confecom supera desorganização e termina com sucesso

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O fato de a Globo, a Zero Hora, a Folha, o Estadão e veículos de outras grandes empresas mostrarem-se mordidas pelas decisões da Confecom apenas demonstra que ela atingiu seus objetivos, de mexer nos interesses dos grupos que concentram em pouquíssimas mãos a comunicação no Brasil. Se é ruim pra eles, há de ser bom para a sociedade, sinal de um avanço no sentido de democratizar o setor.

- Postado por Cris Rodrigues (http://jornalismob.wordpress.com)

Ao que parece, podemos respirar aliviados. Os últimos dias da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que aconteceu essa semana, de 14 a 17 de dezembro, em Brasília, reverteu os prejuízos da falta de organização inicial. Uma mudança no regimento permitiu maior participação dos movimentos sociais, com o fim do quórum qualificado que beneficiava as empresas.

A sociedade civil, preocupada há meses com a falta de maioria (tinha 40%, enquanto o setor empresarial ficava igualmente com 40% e o governo com os outros 20%), conseguiu uma união tamanha que a grande maioria das propostas foram aprovadas direto (com mais de 80% de apoio, elas iriam direto para o relatório final).

Não vou entrar no mérito das palestras e das discussões que aconteceram, porque o espaço é curto. O que vale destacar são os resultados obtidos. Apesar de a Confecom não ter caráter deliberativo – ou seja, nenhuma decisão será implementada automaticamente -, foram aprovadas diversas propostas elaboradas anteriormente pelos segmentos que estão participando. Juntas, elas comporão o relatório final a ser encaminhado para o Congresso Nacional. O objetivo é que o documento sirva como base para um novo marco regulatório das comunicações. A Confecom começou com mais de 6 mil propostas, discutidas em 15 grupos de trabalho, com o propósito de reduzi-las a 150. No fim, foram aprovadas mais de 600 propostas.

Propostas

Das propostas aprovadas, destacam-se a criação do Conselho Nacional de Comunicação com caráter deliberativo – proposto em 2004 por Lula e rejeitado pela mídia -, a institucionalização da Confecom de dois em dois anos, a exigência de diploma para o exercício da profissão.
A importância da criação do Conselho se deve à participação da sociedade civil do debate sobre comunicação, através de um controle social da mídia. A ideia é que ele se torne um órgão permanente de regulamentação das políticas de comunicação no Brasil, instituindo um código de ética e coibindo excessos. Sua composição contará com a presença de governo, setor empresarial e sociedade civil, de forma tripartite.

Outras propostas aprovadas foram a criação de um Conselho Federal de Jornalistas; um maior rigor nas concessões; a complementaridade entre sistema público, privado e estatal na produção de conteúdo, com incentivos para mídia popular e independente; a universalização da banda larga como forma de inclusão digital; o fim da criminalização das rádios comunitárias que não possuem outorga e da burocratização das outorgas.

Grande imprensa boicota Confecom

O Jornal Nacional tentou claramente diminuir a importância das decisões tomadas na Conferência, atribuindo-lhe falta de legitimidade em função da ausência de grandes grupos do setor empresarial. Segundo William Bonner, entidades representativas do setor empresarial teriam se retirado porque a conferência tentava censurar os veículos através de um controle social da comunicação.

O fato de a Globo, a Zero Hora, a Folha, o Estadão e veículos de outras grandes empresas mostrarem-se mordidas pelas decisões da Confecom apenas demonstra que ela atingiu seus objetivos, de mexer nos interesses dos grupos que concentram em pouquíssimas mãos a comunicação no Brasil. Se é ruim pra eles, há de ser bom para a sociedade, sinal de um avanço no sentido de democratizar o setor.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Secretário de Movimentos Sociais do PCdoB de Jundiaí é eleito para participar da Conferência Estadual das Cidades

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Roberto Gonçalves de Sá, Secretário de Movimentos Sociais do PCdoB de Jundiái, foi eleito como Delegado para participar da Conferência Estadual das Cidades, que será realizada nos dias 27 e 28 de março no Memorial da América Latina em São Paulo.

Durante o evento, serão apontadas e debatidas quais devem ser as mudanças necessárias para melhorar a vida da população em seus municípios.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

PCdoB-SP promove primeiro encontro de pré-candidatos a deputado para as eleições de 2010

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- Texto: André Lux / Fotos: Cristiano Guimarães


Mesa do primeiro encontro dos pré candidatos do PCdoB

O PCdoB de São Paulo realizou, no sábado, dia 12 de dezembro, seu primeiro encontro entre os pré-candidatos aos cargos de deputados estadual e federal. O objetivo do evento foi iniciar a preparação dos políticos do partido para a disputa eleitoral de 2010, que tem como principal meta aumentar o número de representantes do PCdoB na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal, fortalecendo politicamente o partido em São Paulo e no Brasil.


Deputado Pedro Bigardi expõe suas opiniões

Nádia Campeão, presidente do PCdoB do Estado de São Paulo, abriu os trabalhos felicitando a todos pelos êxitos conquistados em 2009 relativos ao governo Lula, ao Congresso Nacional do partido e à preparação para a disputa do pleito em 2010. “Temos que fazer uma campanha unificada e forte, aproveitando o contexto político atual que é amplamente favorável às forças da esquerda que dão apoio ao governo do presidente Lula e também o fato de que a oposição à direita não tem propostas para o país, nem discurso”, avalia. Para a presidente do PCdoB de São Paulo, cada pré-candidato tem o dever de lutar para obter o maior número de votos possível dentro do contingente de 28 milhões de eleitores que existem no Estado. “A militância e a vontade política são as maiores forças do nosso partido e com certeza vão fazer a diferença nas próximas eleições”, aposta.


Auditória da Assembleia Legislativa ficou lotado

Essas noções foram reforçadas pelo deputado estadual Pedro Bigardi, que sugeriu a todos os pré-candidatos que comecem desde já a realizar uma análise das conjunturas regionais, estadual e federal. “Isso é de extrema importância nas próximas eleições, pois vai ajudar o diretório estadual do PCdoB a mapear a situação política do Estado e na hora da elaboração do planejamento das campanhas”, enfatiza Bigardi.


Ministro Orlando Silva dá o seu recado

O Ministro do Esporte, Orlando Silva, esteve presente no evento e também prevê um crescimento do PCdoB nas próximas eleições, se houver empenho e determinação de cada pré-candidato. “Hoje, graças ao governo do presidente Lula do qual fazemos parte, temos crescimento econômico com distribuição de renda e justiça social. Precisamos mostrar isso à população nas eleições e provar que nós comunistas somos bom de conversa, de política e de governo”, destaca.


Os deputados Pedro Bigardi e Aldo Rebelo

Já a receita para se vencer uma eleição foi dada pelo deputado federal Aldo Rebelo: “Acordar cedo e dormir tarde, ter disciplina, disposição, otimismo e estar atento à vida e às necessidades das pessoas”. Para Rebelo, apenas ter boas idéias e boa intenção não bastam para vencer, pois é preciso fazer a população entender tudo isso. “Idéias são um caminho para se chegar ao povo. E isso depende de um bom planejamento e de muita estrutura”, define.


Bigardi junto às camaradas do PCdoB

O vereador Netinho de Paula também mostrou estar afinado com o espírito de união e colocou-se à disposição do partido para ajudar de todas as formas possíveis. “Cada um de nós deve pensar agora no que pode oferecer de melhor ao PCdoB para que a nossa direção consiga elaborar um planejamento estratégico bem estruturado e eficiente para fazer crescer a nossa representatividade nos níveis estadual e federal”, sugere.


Palestra do publicitário Júlio Filgueira

O evento contou ainda com uma palestra do publicitário Júlio Filgueira, que abordou as várias fases da estratégia eleitoral e deu importantes conselhos de como realizar uma campanha com envolvimento e profissionalismo, fatores essenciais para quem busca a vitória na abertura das urnas.

Vianna: Serra pediu pra "Globo" pegar leve com o Arruda?

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- por Rodrigo Vianna, jornalista, em seu blog Escrevinhador

Muita gente já percebeu que o "Correio Brasiliense", principal jornal de Brasilia, tem poupado José Roberto Arruda no escândalo do panetone (leia sobre isso aqui)

No caso do jornal, a razão seria (digamos) publicitária.

Mas não para por aí.

Ontem, um dos senadores mais bem informados do Congresso (ele transita bem entre governistas, mas é de um partido que tem boas relações com a oposição) garantiu, numa conversa em "off" com jornalistas: "a Globo vai tirar o pé do escândalo, o Serra chamou a direção de jornalismo e 'pediu' (ênfase irônica) para baixar a bola, e não bater tanto no Arruda".

Mas, por que, senador? "Isso respinga na minha candidatura", teria dito o governador de São Paulo.

(Muita gente acha que Serra, de início, não achou tão ruim o escândalo. Seria mais fácil negociar com um DEM enfraquecido. O Serra acha que, do jeito que está, o DEM virá por gravidade. Mas, se a crise se arrastar e o noticiário continuar mostrando as cenas, o PSDB também perde. Lula e o PT passam a ser vistos como fiadores do combate à corrupção.

Lula hoje já aproveitou a deixa: mandou para o Congresso um projeto de lei que transforma corrupção em crime hediondo.)

A conversa com o senador foi ontem. Hoje, quarta-feira, na hora do almoço, o pau quebrou em Brasília. Arruda mandou a polícia pra cima dos manifestantes da CUT e de partidos de esquerda.

No noticiário local, a Record ficou meia hora com as imagens da pancadaria, ao vivo. Na Globo, uma reportagem sobre um robô, no Japão.

É isso: "pedido" do Serra, não se discute. Cumpre-se!

Vamos ver como fica o noticiário nos próximos dias.

Nesta quarta, o "panetonegate" já tinha sumido também da primeira página da "Folha". Será que a "Folha" vai esconder a pancadaria em Brasília?

Difícil ignorar um escândalo desses. Mas tudo é uma questão de ênfase jornalística. O pedido não foi pra sumir com o caso, mas pra baixar a bola... A conferir.

O que digo é o seguinte: o senador é fonte segura. Em julho, avisou a vários jornalistas que havia uma fita de Arruda pegando dinheiro. Poucos acreditaram. As fitas estão aí.

O senador - agora - avisa que a fita mais impactante ainda não foi divulgada. Arruda apareceria numa cena de "adoração monetária", louvando as notas novinhas em folha.

"Eu vi a fita, ela existe. Só não sei se vai aparecer".

Parece inacreditável. Mas, nesse caso, quase tudo parece inacreditável: das meias e cuecas à desculpa do panetone...

Eu já não duvido de mais nada.