segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Deputado Pedro Bigardi e presidente do PCdoB de Jundiaí prestigiam Conferências Municipais do partido

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Texto e fotos: André Lux

O deputado estadual Pedro Bigardi e o presidente do PCdoB de Jundiaí e Coordenador da macrorregião Tércio Marinho participaram de oito Conferências Municipais do Partido nesse final de semana 11, 12 e 13 de setembro realizadas em Bragança Paulista, Pirapora do Bom Jesus, Campo Limpo Paulista, Taboão da Serra, Caieiras, Franco da Rocha, Cajamar e Itupeva.

Ambos levaram mensagens importantes sobre a necessidade de crescimento e fortalecimento do PCdoB na região nos próximos meses, visando o Congresso Estadual, a ser realizado em outubro, e o 12º Congresso Nacional do Partido, que acontecerá em novembro, em São Paulo. Esse crescimento objetiva também as eleições de 2010 e 2012, nas quais o PCdoB almeja aumentar o número de cadeiras no Congresso Nacional, Senado, Assembleia Legislativas, Prefeituras e Câmaras Municipais

“O Brasil precisa do PCdoB mais do que nunca, pois o partido tem muito a contribuir com a continuidade do desenvolvimento do país com distribuição de renda iniciada nos dois governos do presidente Lula. É preciso lembrar que ainda existem muitas forças conservadoras no Congresso e no Senado e até mesmo dentro do governo e que as eleições de 2010 serão dificílimas para o campo progressista. É por isso que nosso partido tem que estar forte e preparado para enfrentar o desafio e ajudar a manter e aumentar ainda mais as conquistas do Governo Lula”, alertou o deputado Pedro Bigardi.

Para reforçar a importância das contribuições do PCdoB no Governo Federal, Bigardi destacou o novo marco regulatório de exploração do petróleo pré sal, cujo projeto a ser aplicado pelo presidente Lula é de autoria da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP), a qual é presidida hoje pelo camarada Haroldo Lima, do PCdoB.

Tércio Marinho, presidente do PCdoB de Jundiaí e coordenador da macrorregião, reforçou as palavras do deputado Pedro Bigardi e afirmou que o partido tem uma função muito importante na formação de cidadãos plenamente conscientes do seu papel na política nacional. “É função do nosso Partido levar conhecimento e qualificação cultural, política e educacional aos militantes para que todos obtenham uma formação sólida para ser aplicada na busca pela transformação da sociedade rumo ao socialismo”, enfatiza. Tércio destacou ainda a importância do relacionamento dos militantes do PCdoB com a sociedade, buscando inserir-se em todos os movimentos sociais e conselhos, sempre tendo como base as teses do Partido que serão debatidas e definidas no Congresso Nacional do PCdoB, em novembro.

Confira abaixo as fotos de algumas das conferências municipais.

TABOÃO DA SERRA








CAIEIRAS




FRANCO DA ROCHA




CAJAMAR




ITUPEVA


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Conferência Municipal do PCdoB de Mairiporã discute os rumos do partido

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- Texto e fotos: Eliane Silva Pinto

A Conferência Municipal do PCdoB de Mairiporã aconteceu nesse domingo, 6 de setembro, e contou com a participação do deputado estadual do partido, Pedro Bigardi.

Em sua fala, Bigardi enfatizou a importância de fortalecer o partido em cada município. “Esse processo de conferência é importante para abrir a discussão e trazer mais pessoas para conhecer a ideologia do partido. Nossa meta é fazer o partido crescer mais, ter mais presença política, participar das discussões nas cidades e isso acontece a partir da organização em cada município”, enfatizou o parlamentar.

Tércio Marinho, presidente do PCdoB de Jundiaí, afirmou que o partido na cidade terá todo o apoio necessário para esse crescimento. “A macrorregião do PCdoB ajudará a cidade e a participação de cada militante é imprescindível para o fortalecimento do partido na cidade. Temos condições de nos organizarmos e montar um partido forte nesse importante município do Estado”, ressaltou.

Para o presidente do PCdoB de Mairiporã, Francisco Roberto Fortes, a Conferência Municipal foi o “ponta pé inicial do partido”. “Agora vamos realizar mais atividades do partido para trazer novos filiados e montar uma equipe forte para discutir os principais problemas da cidade”. Ele também destacou a formação política como fundamental nesse processo. “Temos que crescer com qualidade e fazer com que os filiados tenham conhecimento para discutir as principais questões”, afirmou.

Segundo o deputado Bigardi, o PCdoB pretende com as conferências municipais, a estadual e o Congresso Nacional discutir desde a base os problemas do município até os problemas nacionais e os novos rumos do PCdoB. “Temos que nos preparar para o embate do ano que vem, já pensando nas eleições de 2012, e estruturar o partido nas cidades para lançar grandes nomes para a disputa eleitoral”.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Tércio Marinho representa deputado estadual Pedro Bigardi no lançamento do projeto Bióleo em Caieiras

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- Texto e fotos: André Lux

Tércio Marinho (2º à esq) junto às autoridades em Caieiras

Tércio Marinho, Presidente do PCdoB de Jundiaí, representou o deputado estadual Pedro Bigardi no evento de lançamento do programa Bióleo, em Caieiras, na quinta-feira, 3 de setembro.

Várias autoridades e representantes da sociedade organizada participaram do evento, entre elas o prefeito de Caieiras Roberto Hamamoto, o secretário do meio ambiente Bonfilio Ferreira, o presidente da Câmara Municipal Pedro Siqueira Junior e o presidente do Instituto PNBE Fernando Prestes Maia.

O Bióleo é um programa pioneiro idealizado em Caieiras a partir de um Projeto de Lei do vereador Adriano Sopó que tem o objetivo de transformar óleo de cozinha usado em energia renovável (biodisel). Esse é um projeto ambiental importante, pois muitas pessoas têm o hábito de jogar o óleo usado na pia, sem saber que cada litro de óleo descartado de forma inadequada pode contaminar até 20 mil litros de água.

O projeto será realizado pela Prefeitura de Caieiras em parceria com a empresa Essencis, especializada em soluções ambientais sustentáveis.


Lançamento do programa Bióleo em Caieiras

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Para Pedro Bigardi, filiação do delegado Protógenes é uma grande conquista para o PCdoB

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- Texto: Eliane Silva Pinto

Em entrevista coletiva nessa quarta-feira, 2, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz anunciou sua filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O delegado ficou conhecido por comandar a Operação Satiagraha, na qual prendeu duas vezes o banqueiro Daniel Dantas.

“Decido ingressar no PCdoB porque é uma organização partidária que tem um projeto nacional que atende às necessidades urgentes do povo brasileiro e do Brasil”, falou o delegado durante a entrevista.

Questionado sobre a razão da escolha pelo PCdoB, visto que foi procurado por vários partidos políticos, Protógenes comentou sobre a postura política do PCdoB. “Encontrei no PCdoB a possibilidade de continuar o meu trabalho de resgate da ética, da moral e o respeito à Constituição da República. O partido possui grandes lideranças no Estado de São Paulo que simbolizam tudo isso, como os vereadores Netinho de Paula e Jamil e do deputado estadual Pedro Bigardi, que com os seus trabalhos íntegros e honestos defendem os interesses da população”, ressaltou.

Ao ser perguntado sobre seu conhecimento das idéias comunistas, Protógenes comentou sua participação no PCdoB na juventude, quando o partido estava na clandestinidade. “Se ser contra a corrupção, colocar na cadeia quem teve desvio de conduta, proteger a riqueza do país, é ser comunista, então acho que coloquei em prática os conhecimentos que adquiri”.

De acordo com o delegado, o cargo a que se candidatará só será definido em 2010.

Para o deputado estadual pelo PCdoB, Pedro Bigardi a filiação de Protógenes representa uma grande conquista ao partido. “Muito nos honra a vinda do delegado ao nosso partido, sua filiação engrandece o partido por sua luta contra os crimes de colarinho branco, é um nome nacional de grande importância para o Brasil pelo que tem feito na luta contra a corrupção, em defesa do país”, enfatizou.

Bigardi destacou que a vinda do delegado Protógenes ao PCdoB aconteceu devido ao projeto político eleitoral forte construído pelo partido. “O PCdoB é o partido que mais cresce no Estado de São Paulo e é um crescimento com qualidade, com a vinda de importantes lideranças, como o Protógenes Queiroz”.

O evento oficial de filiação partidária do delegado Protógenes ao PCdoB ocorre no dia 7 de setembro.

Protógenes explica por que escolheu o PCdoB

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O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz anunciou nesta quarta-feira (2) que escolheu o PCdoB como seu partido. "Esse partido consegue se superar, retirar todas as pedras e os espinhos do caminho e se colocar no cenário nacional aliado a uma proposta de um Brasil diferente. O PCdoB é a sigla vitoriosa, dentre todas as existentes", explica Protógenes nesta entrevista para Bernardo Joffily e Priscila Lobregatte, do Vermelho.

"Num primeiro momento foi difícil me convencer a me filiar a um partido político, a deixar aquilo que eu fazia antes – ser servidor público – e lançar-me a cumprir essa exigência maior da sociedade que é participar do processo político", relata Protógenes. "Mas, o mais difícil mesmo foi escolher..."

Uma fila de siglas partidárias ofereceu suas fichas de filiação, de olho na elevada popularidade da causa que o delegado encarna. Ele cita o PSDB, DEM, PDT, PSB, PSol e PCdoB. Mas a dificuldade, segundo Protógenes, deveu-se a outros motivos, nâo à quantidade de pretendentes. Veja os trechos principais da entrevista exclusiva de Protógenes Queiroz; e em seguida o vídeo onde o delegado fala aos cidadãos brasileiros:

Bernardo Joffily: Por que "o mais difícil" foi escolher o partido?

Protógenes: Porque, salvo raríssimas exceções, não temos partidos políticos no Brasil comprometidos com interesses nacionais. Temos partidos que atendem a interesses de grupos ou de pessoas. De tempos em tempos – principalmente em período eleitoral – essas legendas buscam o voto para legitimar o processo eleitoral, sem nenhum compromisso com a população. E afirmo que ficaria mais fácil para a população entender a política a partir do momento em que todos os escândalos ocorridos na República fossem resolvidos não à sombra, mas sim à luz do dia, de maneira que todos nós, cidadãos e eleitores, tivéssemos acesso às informações com a transparência a que temos direito. Qual senador foi à população explicar o que ocorria no Congresso? Ficam no parlamento se digladiando, flagelando a política brasileira. Eles mesmos se desqualificam e acabam desrespeitando o nosso voto, o que é mais grave. Estou decidindo hoje, dia 2, que essa participação política é necessária e a minha decisão é por um partido que atende às necessidades básicas da população e tem um projeto para o Brasil e esse partido é o PCdoB.

Priscila Lobregatte: Em seu blog, você diz que há uma falsa pluripartidarização no país...

Protógenes: Essa falsa pluripartidarização nasce num processo legitimado pela legislação eleitoral. Mas, seu real funcionamento não atende, como deveria, às transformações sociais que hoje o país e a sociedade necessitam. Os partidos muitas vezes sentam-se à mesa como se convergissem em um só interesse e as legendas tornam-se apenas um leque de opções abstratas para o eleitor. No entanto, eles negociam para atender a interesses de grupos e de pessoas. Outros partidos menores, para ter credibilidade, têm de se aliar a um de maior visibilidade que possa, por sua história, adotar um projeto de país que atenda àquelas necessidades.

Bernardo: Primeiro você escolheu um campo político e depois o partido que fizesse parte da base de sustentação do governo Lula. Qual o significado dessa opção?

Protógenes: A política brasileira foi construída a partir de dois segmentos. Após a ditadura militar, um grupo se organizou para construir outro tipo de país. Mas esse grupo se dividiu logo no início da caminhada. Uma parte optou por uma política neoliberal e pensava “esse país teve grandes compromissos com o Estado e acabou alijando a sociedade. Então, vamos diminuir esse Estado e aumentar os compromissos com a sociedade”. Nasceu assim a figura do Estado mínimo, caracterizado pelas privatizações. Esse grupo achava que assim conseguiria atender às necessidades básicas da população com o dinheiro apurado nas privatizações e combater a miséria, aumentar acesso à educação, à segurança etc. Porém, esse modelo faliu porque o dinheiro sumiu sem nenhuma explicação, nem punição.

O outro bloco, de esquerda – que se formou com PT, PCdoB, PDT, PCB, PSB e mesmo PPS – tinha o objetivo de resistir a esse modelo neoliberal que não estava dando certo. O Estado praticamente deixou de existir e foi substituído por um grande conglomerado privado que mandava no país. Formou-se então um campo de resistência em torno dos trabalhadores. A classe operária, insatisfeita com esse modelo, se reuniu em torno de uma sigla chamada Partido dos Trabalhadores buscando, no processo de reconstrução do país, um modelo mais focado no social, nas populações mais carentes. Enfrentamos o processo político por meio do voto e vencemos com a eleição de Lula. E esta foi uma vitória histórica da classe produtiva. Um operário de pouco estudo deu certo porque tinha a visão de que o Estado precisava ser mais rápido em suas ações.

Bernardo: Seu nome é muito associado à luta contra a corrupção. E para quem abre o jornal hoje, essa parece ser uma bandeira da oposição ao presidente Lula. Como fica essa conexão: ser um militante do governo Lula e um embandeirado da “luta anticorrupção”?

Protógenes: Para mim, não foi difícil. Tive a percepção de que havia um projeto em movimento que precisa avançar e que não seria construído em quatro ou oito anos. Mas a minha percepção é de que nesses dois mandatos avançamos muito e conseguimos reverter aquele processo anterior em que o Estado não tinha nenhuma presença no campo social. Lula teve essa percepção e a coragem de, como primeiro projeto, implantar um programa de combate à fome, além do Bolsa Família, que consistem em levar uma fatia do bolo do Estado para a população mais carente, atendendo às suas necessidades mais primárias. Portanto, fatos ocorridos em suas administração não desqualificam o projeto de país que ele iniciou e o credencia como o presidente mais importante da história da República brasileira após Getúlio Vargas. Essa marca ninguém tira dele.

Priscila: Acredita que houve exploração de certos fatos com o objetivo de desgastar o governo?

Protógenes: Com certeza. Não posso revelar certos dados porque são sigilosos, mas posso afirmar que a desestabilização do Congresso Nacional e a desqualificação da classe política foi uma engenharia de setores ligados a esse Estado mínimo brasileiro e ao capital internacional para que o projeto de Brasil, liderado pelo presidente Lula e apoiado pelos partidos de esquerda, não fosse implementado. É o caso, por exemplo, do pré-sal. Lula tenta reverter um marco regulatório nefasto, atrasado e que privilegia o capital privado, montado em 1998 na era de Dom Fernando II, que mudou até a Constituição da República e passou como um rolo compressor sobre o Congresso para atender a esses interesses.

Nós, comprometidos com os interesses da sociedade, temos que mobilizar a população e apoiar o presidente para que essa renda de exploração do pré-sal seja dividida pelo país inteiro e não usado apenas para atender aos estados mais ricos da Federação, como São Paulo e Rio de Janeiro. É uma visão sócio-econômica e política equânime e desenvolvimentista que visa o progresso e o atendimento das necessidades principalmente das camadas sociais mais pobres.

Bernardo: Por falar em pressão, a sua carreira como delegado da Polícia Federal vem sofrendo um bocado de pressão. O Protógenes Queiroz militante político está preparado para enfrentar a pressão triplicada que vai vir pela frente?

Protógenes: Sim. Quem passou por uma Operação Satiagraha, quem sabe todos os fundamentos que essa operação teve e que seu nome em sânscrito carrega, certamente vai conseguir superar todos os obstáculos e óbices. Sei que o meu caminho tem muitas pedras e espinhos. Mas todos esses obstáculos vão servir para fortalecer ainda mais a nossa luta, para que a vitória venha com bases mais sólidas e a participação de uma grande maioria de brasileiros.

Bernardo: Você tem um projeto eleitoral, por exemplo, para 2010?

Protógenes: Não é um projeto que vamos redigir, sentados numa sala, com vários técnicos. A população será ouvida para que saibamos quais são as necessidades de quem está na ponta, sofrendo. Esse sim vai ser o meu projeto.

Bernardo: E mais especificamente está sendo construída uma candidatura sua em 2010?

Protógenes: Sim, sim. Temos que continuar com o combate à corrupção, através de um sistema mais eficaz, mais transparente, na aplicação dos recursos públicos, conclamando o povo brasileiro para que vigie a verba pública e participe do processo de administração; fomentar a democracia participativa seja no campo da educação, da saúde, da segurança pública, da habitação...

Priscila: Boa parte dos problemas da política hoje é decorrente do sistema político. Que tipo de reforma seria necessária para melhora-lo?

Protógenes: Em primeiro lugar, um compromisso, não é? Não adianta lançarmos um projeto de reforma política num Congresso Nacional que não tenha legitimidade. Temos que sentar todos à mesa, todos os atores, todos os responsáveis, para discutir o Brasil, que tipo de país nós queremos e qual a via de construção e partir para um debate no Congresso onde as discussões não sejam aviltadas para se atender a interesses de grupos ou de pessoas. Tem de haver um pacto da indústria com o trabalhador, com o jovem, com o representante da sociedade carente, com os agricultores. Tem de haver uma discussão como nunca houve no Brasil. E para isso é preciso chamar a população e pedir que ela participe do processo. Alguns governantes tentaram fazer isso. Getúlio tinha essa prática, Brizola um pouquinho também. O próprio Juscelino... Acho que hoje falta isso.

Bernardo: Fiquei sabendo que a sua iniciação nas lutas partidárias aconteceu na juventude, no tempo da ditadura, em Niterói, no Partido Comunista Brasileiro...

Protógenes. Mais precisamente em São Gonçalo... [as duas cidades fluminenses são vizinhas]

Bernardo: São Gonçalo. E agora a decisão é entrar no PCdoB...

Protógenes: Volta às origens...

Bernardo: Tem alguma coisa a ver? Qual o seu compromisso com essa ideologia?

Protógenes: Aos 16 anos, quando eu era aluno do segundo grau, tive o primeiro contato com os meus mestres de ensinamentos na doutrina marxista-leninista. Eram quadros brilhantes, já com certa idade, inclusive viviam na clandestinidade, todos cassados, presos.

Naquela época, com 16 anos, eu contestava porque havia um presidente general, saía, entrava outro. Em casa o meu pai era militar, homem do regime, eu perguntava e ele saía pela tangente: "Meu filho, vai tentar construir um Brasil maior. Não pense neste Brasil de hoje porque eu não tenho muito a esclarecer, a não ser o que o jornal e a Voz do Brasil já te dizem". Desde pequeno, eu tinha como hábito ouvir a Ave Maria, a Voz do Brasil e depois o Repórter Esso. E ler o jornal, todo dia de manhã cedo. Meu pai mandava comprar o jornal e eu tinha que ler junto com ele, para me informar. Então eu falei: "A culpa é do senhor porque agora tenho consciência”. E ele: "É isso que eu quero, mas tenha cautela". Com 16 anos, entendia o tipo de país que eu queria para mim e para os meus semelhantes.

E então esses grandes comunistas me diziam: "Você vai participar do Partido Comunista Brasileiro, você tem o perfil, precisamos de jovens como você". Eu até tentei levar uns coleguinhas naquela época, mas ninguém topou. Era apenas eu sentado ali naquela mesa com um monte de gente mais velha, mas de muita sabedoria. Aqueles homens pensavam o Brasil. Ingresso no PCB na clandestinidade; filio-me, participo de muitas reuniões na clandestinidade. Inauguro um jornal, chamado Alerta Geral, que foi cassado na primeira edição.

Na faculdade, entrei em contato com os companheiros da UNE, já ligados a movimentos de esquerda, ao PCB, PCdoB, MR8, o pessoal do MDB, e fiquei sendo delegado da UNE na faculdade, no primeiro congresso da UNE já saindo da clandestinidade. Na minha faculdade fui o único porque o diretório estava fechado. Desafiei o corpo diretivo da faculdade, composto por uns oficiais generais, e fui participar. Saí desse processo com uma posição ideológica bem sólida sobre o país que eu pretendia ajudar a construir.

Quando veio a legalidade, participei das Diretas Já. Comecei a avaliar e fiquei um pouco decepcionado porque a esquerda começou a se fracionar para atender a interesses individuais e de grupos, e não do país, da população. Falei: “vou partir para uma carreira solitária, de maneira que a população seja agraciada com um brasileiro que empunhou uma bandeira e vai dar consequência a ela, evitando que o dinheiro público seja sangrado em atos de corrupção”. Estava muito bem, vivia otimamente. Mas minha vida virou uma confusão danada quando eu fui empurrado a uma arena, de uma forma injusta, que eu não queria. Mas eu acho que está escrito em algum lugar, no universo, no cosmo...

Priscila: Em algum cantinho...

Protógenes: ...É. Em algum cantinho alguma força arcana, divina, falou: "Olha, aparece agora" (risos). Então, apareci. E vi que o Partido Comunista do Brasil avançou e cresceu muito. Acredito que nesse processo político é o partido mais vitorioso, um partido que tem o passado que tem, sofreu as perseguições que sofreu, superou erros e tem uma política própria para o Brasil, um país em desenvolvimento, rico, multiétnico, religioso, decente. Esse partido consegue se superar, retirar todas as pedras e os espinhos do caminho e se colocar no cenário nacional aliado a uma proposta de um Brasil diferente.

Neste cenário, o PCdoB é a sigla vitoriosa, dentre todas as existentes e isso acontece devido à responsabilidade dos quadros que têm a mesma origem que eu, que nunca se desviaram daquilo que aprenderam no passado e que têm compromisso com o futuro, com a construção de um Brasil que nós acreditamos: mais justo e mais digno. Isso sem muito alarde político. É um partido cujo plano político nacional não está na panfletagem, não está nessa atividade eleitoreira. Quando falei de estar ao lado do governo e ao mesmo tempo ter lidado com a corrupção, digo que pessoas que estavam com o presidente Lula tiveram outros compromissos que não com o Brasil e se desviaram do caminho. Mas existe uma proposta política de Brasil sendo implementada. Tem que se dar consequência a isso, não é? Sair desse processo é ser irresponsável. E aqueles que abandonam esse processo estão pensando nos seus próprios interesses ou estão magoados com alguma situação que ocorreu no passado...

Bernardo: Seria o caso dos nossos amigos do Psol?

Protógenes: Não vou classificar. Todos os partidos têm as suas virtudes e os seus defeitos. Mas eu acredito que tem pessoas, até mesmo dentro do próprio PT, insatisfeitas com a política implementada, que não têm a nítida compreensão do que está ocorrendo e do resultado que isso alcançou, da virada que nós demos ao impedir a consolidação do sistema neoliberal no Brasil. Essa foi a grande virada, a grande sacada. E o Partido Comunista do Brasil deu uma grande contribuição com fundamentos. E Lula buscou esses fundamentos, o que fica nítido quando você pega e lê as resoluções do Comitê Central, o Programa do partido e as ações implementadas hoje no governo. E o partido fez isso em silêncio, sem aparecer, porque o necessário é que haja um ganho para a população. O Brasil é que tem de aparecer.

Priscila: Voltando um pouco para a Operação Satriagraha: você mexeu com várias pessoas poderosas em outras operações, como o Hidelbrando Pascoal, Paulo Maluf etc. Só que quando você mexeu com o Daniel Dantas, veio a perseguição, veio o Gilmar Mendes. Por que mexer com o Daniel Dantas é tão complicado?

Protógenes: Na verdade, eu não mexi com o Daniel Dantas. Eu mexi com o sistema neoliberal gerenciado pelo Daniel Dantas; neoliberal e criminoso, porque explorar as riquezas do nosso país de forma oculta e vende-las, desviar recurso público, é crime. O que eu combati foi o sistema. Não foi o banqueiro condenado. Ele é apenas uma peça do sistema, que foi visivelmente exposto. Por isso eu sofri as agressões, do próprio Estado, das próprias instituições que se voltaram contra mim. Essas instituições são operadas por homens que evidentemente têm interesse em que se mantenha o status quo que o Daniel Dantas gerenciava. Isso um dia tinha que explodir. A ganância é tanta que eles chegaram ao absurdo de ter mais de 1.500 concessões de exploração do subsolo brasileiro; foram identificados e bloqueados mais de US$ 3 bilhões. Isso é o orçamento de muitas cidades brasileiras. Para mim, foi fácil porque eu não faço parte de sistema nenhum, meu sistema é o do povo brasileiro, é o do Brasil.

Priscila: Ligado a isso veio a questão da "grampolândia". Disseram que tinham colocado grampo numa conversa entre o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. E ficou comprovado que foi uma grande mentira. Como você vê esse tipo de ação da mídia?

Protógenes: Esse é um caso típico dessa engenharia com o objetivo de desestabilizar o governo Lula no segundo mandato. Sucessivos escândalos surgiram e vão surgir para consolidar a impunidade de quem tem dinheiro e poder. Isso desqualificou a Justiça, desqualificou um senador da República. Quando você desqualifica a Justiça, facilita e consolida a impunidade no Brasil porque fica claro que a Justiça só vai punir o pobre, o desempregado, o negro. Os bandidos mais perigosos da nação estão soltos, e cheios de dinheiro, aqui ou fora do Brasil.